Uma laranja cai ao meu lado,
Acordo assustado.
- Há quanto tempo estou deitado?
Pergunto pasmado,
Nesse campo largado
Que parece assombrado.
Um sabiá pousa no roçado,
Não canta, permanece calado.
O sabiá é espantado
Por um cavalo pintado
Que corre arretado.
O céu amarelado
Traz um vento gelado,
Fico arrepiado
E com medo danado.
Ao longe um homem aleijado
Faz-me um comunicado:
- Sou um espirito penado
Vim em busca do passado
Ao qual estás atrelado.
Pergunto angustiado:
- A que passado estou atrelado?
Ele responde indignado:
- Na segunda vez que foste encarnado,
Tu foste um conde malvado
De um grande reinado
E eu o teu empregado
A ti devotado.
No tempo determinado
Não o deixava barbado
Arrumava telhado
Alimentava teu gado
Fazia o teu assado
Bordava babado
Porém num dia desgraçado
Acordei atrasado
Com meu labor errado.
Tu irado
Apanhou o machado
Com um golpe fui afetado
Ficando aleijado
Fui humilhado
E do reino exilado.
E assim maltratado.
Fui mirrando sufocado
Minguando isolado
Até morrer ignorado.
Enquanto tu, afortunado
Com o égo inflado
Bailava animado
Por entre o reinado.
Cheguei ao céu magoado
Com o peito irado
Fui excomungado
De lá expurgado
Pois foste por mim julgado
E por mim condenado
A falar só rimado
E tudo terminado
Em ado.
Pois participo do teu passado.
Amaldiçoei e fui amaldiçoado
Agora para sentir-me aliviado
Preciso perdoar para ser perdoado.
Estou cansado
Deste fardo pesado.
Estas perdoado.
- Cruz credo
Daqui não arredo,
Não mexo um dedo
Não guardo segredo
To morrendo de medo
- Para supor, parece-me cedo
Mas não mudamos o enredo,
Só que agora rimamos em edo.
sábado, 31 de maio de 2008
Ache o Particípio Passado
Por:
Miranda
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