sábado, 28 de junho de 2008

A Carta

Fique com ninguém, fique sozinha.
Faz de conta que é novela, e no último capítulo, fique comigo.
Fique comigo, porque quando você num gesto natural... (Talvez o mais natural dos gestos entre vocês mulheres...) Leva o cabelo para trás das orelhas, é que percebo o quanto o tempo é imenso, não, imenso é a lira, não, imenso é o tempo, de lira.
Fique comigo, que te prometo rimar o significado da palavra paixão com o significado da palavra harmonia.
Paixão, harmonia, paixão, harmonia, harmonia, harmonia, harmonia...
Deus, oh meu Deus, grande Deus de Abraão, não posso está delirando. Delirando, por um sentimento antigo e morto.
Logo eu que me jurei se bruto, perverso e nunca mais viver conquistas nem perceber ternura dos ramalhetes de rosas, das caixas de bombons, dos lenços bordados com iniciais, das músicas de Antônio Carlos Jobim, nem mesmo se quer notar a passagem da primavera.
Logo eu que sou de concreto e aço e faço questão de ser vilão, moleque que fala palavrão e mostra a língua.
Mentira...
Logo eu que sou de carne e osso e faço questão de se herói, menino educado que limpa os pés antes de entrar em casa.
Logo eu “que nada tenho e nada sou” a não ser, ter e ser meu violão e meu chapéu.
Mas também, logo você!
Logo você, que tem pedestal e mora no alto de uma torre, num castelo distante. E é protegida por Atena, deusa das artes e da sabedoria, Afrodite, deusa do amor, da beleza e da sedução. Enfim: poderosa e intocável.
Seu castelo tem muralhas altas e é cercado por um pântano sombrio, com dragões de sete cabeças que soltam fogo.
Logo eu terei de enfrentar feras?
Saiba que não tenho armas pra te conquistar.
Por isso desce dessa torre e me ajuda.
Pega minha mão, cante uma canção.
“Eu sei que vou te amar...”
Faz de conta que hoje é o último capítulo.

1 comentários:

VERONICA disse...

PARABENS PELO BLOG!!!
E' MESMO 10!!!
VC SEMPRE CLEVER HEIN CLEBER ;)
BJO