quinta-feira, 5 de junho de 2008

DESTINO NORDESTINO

Eu nasci numa esteira,
Com ajuda da parteira.
Eu vi o sol nascer,
Eu ouvi papai dizer:
Mariá ô Mariá,
Uma boca a mais pra poder alimentar.

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Quando o vento quente
E o sol ardente
Queimou o teu rosto
E na boca um gosto
De fome.
Você veio para o sul
Se deitar em qualquer cama
E a qualquer homem você diz que ama
Pra não ter nem a metade
Do que você chama de felicidade
De feliz cidade, de felicidade.
Pois num céu de estrelas
Numa noite quente
Que se faz presente
Nesta tua Ibicaraí
Conforta muito mais a gente
Com a mesma fome
Que se passa aqui.
Engula sua gula
E não bula
No destino
No destino nordestino

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Não chores com a minha dor,
A dor é minha e não estou chorando.

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