Como é que tudo isso começou?/
Quando eu nasci veio um anjo safado/
E decretou/
Que minha vida, querido/
De guerra e paz, contras e prós/
Não é nenhum mar de rosas/
Eu toda a minha vida/
Caminhando na ponta dos pés/
Sem jeito eu lhe pegava as mãos/
E eu a esperar pela ternura/
Me desmilingüindo toda/
Mas para meu desencanto/
O meu projeto de vida/
De sonho e fantasia/
Já ficou descrente/
Chorei, chorei/
Falando de lado e olhando pro chão/
E me arrastei e te arranhei/
Fraquejou a voz/
E eu não queria acreditar/
É sempre o mesmo truque/
me esquece na noite escura/
Eu disfarço o cansaço/
Não quero seguir definhando sol a sol/
É inútil dormir que a dor não passa/
E finjo que finjo que finjo/
Que não sei/
Onde os sonhos extraviados vão parar/
Fiz promessa até prá Oxumaré/
Mas uma cigana revelou/
Ai, como essa moça é descuidada/
Nos sonhos que ela gosta de sonhar/
Sonhou se desatar de tantos nós/
Ouve a declaração, oh bela/
Que a boa brisa lhe soprou/
Chora não/Segue em paz/
Deixa balançar a maré/
E a poeira assentar no chão/
Que vem aí bom tempo/
E esse dia há de vir antes do que você pensa/
Será que é mentira?/
Eu hei de ser, terei de ser, serei feliz, feliz/
Agora falando sério/
Se a vida mesmo assim não melhorar/
Eu faço desatar a minha fantasia/
E nem quero saber como se dança o baião/
Eu arrombo a janela...


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