terça-feira, 26 de agosto de 2008

METRÓPOLE QUINHENTOS ANOS

Mataremos índios americanos,
Escravizaremos negros africanos.
Construiremos o Novo Mundo,
A ferro, fogo, pólvora e chumbo.

Na condição de metrópole soberana,
Exploraremos, ouro, cana, banana...
Quinhentos anos de orgasmo puro,
É o que pretendemos para o futuro.

Levaremos a imagem do nosso deus único, morto e branco,
Sobre cabeças de um povo forte, mas derrotado em pranto.
Massacraremos os rebeldes malditos, subversivos ditos,
Que ao defenderem seu povo, sua terra, serão mal vistos.

Criaremos a inquisição e máquinas de tortura,
Como prova de força, poder e maldade pura.
Quinhentos anos de ameaça sobre fuzil,
É o que pretendemos para o Brazil.

Que verá no negro africano um filho adotivo,
Filho este que o manteremos em forte cativo.
Pois levaremos o ruim, o péssimo o mal,
Navegando lentamente em nossa nau.

Cortaremos teu pau brasil e o teremos eunuco,
Coitaremos teu filho e o faremos mameluco.
Que delícia dormir ouvindo o som da chibata,
No tronco sobre a pele negra, índia, mulata.

Chorará humilhado o tupi, o guarani,
Lutará até a morte o negro Zumbi.
Nesta terra fértil de lindo panorama,
Lamentará por seus filhos, Pindorama.

Desumano é no que podemos resumir,
Diante de todo mau que estará por vir.
Pois mandaremos um lobo na pele de cordeiro,
Para enganar o povo brasileiro.

E assim passará o tempo sofrido e lento
Com o povo aguardando o momento.
Linda, negra, índia. Dandara, onde andará? ...

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