quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Um pouco de sinestesia

Vim ao mundo como quem transmonta a carne
Nas mãos de uma parteira cega
De tatear ágil e preciso
Cresci em ruas escuras
Onde o sol desistiu de dardejar
Onde o cão surdo farejava-me
Pensando, eu a ele pensar
Quando moço, perdi meu sono
Ao provar do doce e não sentir o marmelo
Ao beber do curaçau sem as notas da laranja
Hoje, tenho sede, fome e frio
Ainda me faltam sentidos
Talvez eu me complete um dia
Ou queira um pouco de sinestesia
E me torne mais seguro
Mas certo estou ao dizer
Que Aristóteles não estava:
Não há nada na nossa inteligência
Que não tenha passado pelos sentidos

1 comentários:

Tamara disse...

Espontânea percepção!